Segurança · Boas Práticas

Golpe da falsa central do banco: como funciona e como não cair

Edson Feitosa de Oliveira Junior
Edson Feitosa de Oliveira Junior Fundador e Engenheiro Líder · PruPru Digital Services

O golpe da falsa central do banco é um dos mais comuns e dos que mais causam prejuízo no Brasil. Ele funciona porque não depende de tecnologia sofisticada, mas de uma encenação bem ensaiada que mistura medo, urgência e informações verdadeiras sobre a vítima. Conhecer o roteiro tira o efeito surpresa, e é o efeito surpresa que faz as pessoas caírem.

O roteiro típico do golpe da falsa central

  1. O primeiro contato. Você recebe uma ligação, um SMS ou uma mensagem de WhatsApp. Às vezes é uma gravação: "Compra no valor de R$ 2.890 aprovada no seu cartão. Se não reconhece, digite 1."
  2. O "atendente". Uma pessoa educada, com fundo sonoro de central de atendimento, confirma seu nome, CPF e às vezes os últimos dígitos do cartão. Esses dados vêm de vazamentos e passam credibilidade.
  3. O susto. Ele informa uma compra suspeita, uma invasão da conta ou um empréstimo em seu nome.
  4. A "solução". Para "proteger" o seu dinheiro, você precisa fazer alguma coisa imediatamente:
  1. A pressão. "Se não fizer agora, o banco não se responsabiliza." "Não desligue, senão a ligação cai e o processo é perdido."

Variações mais recentes

As regras que bloqueiam todas as variações

Você não precisa reconhecer cada variação. Basta conhecer o que bancos nunca fazem:

Se a conversa chegou a qualquer um desses pontos, é golpe. Sem exceção.

O que fazer ao receber a ligação

  1. Desligue. Não importa o quanto a pessoa insista.
  2. Espere alguns minutos ou ligue de outro telefone. Em alguns casos, golpistas mantêm a linha ocupada para que, quando você "ligar de volta", caia na mesma central falsa.
  3. Ligue você para o número que está no verso do cartão ou no site oficial do banco, digitado por você.
  4. Confira no aplicativo do banco. Se houvesse uma compra suspeita real, ela apareceria lá.

Proteja os mais vulneráveis

Idosos e pessoas com pouca familiaridade com aplicativos são o alvo preferido. Converse com seus pais, avós e funcionários. Uma regra simples ajuda: "Banco nunca liga pedindo para fazer nada. Desliga e me liga." Configure com eles limites baixos de Pix e de transferências no aplicativo.

Caí no golpe. O que fazer?

  1. Ligue imediatamente para o banco pelos canais oficiais. Peça o bloqueio de cartões, senhas e acessos e informe as transações fraudulentas. Para Pix, peça a abertura do MED, como explicamos em golpes com Pix.
  2. Se instalou algum aplicativo, desligue a internet do celular, desinstale o aplicativo e, se possível, leve o aparelho para uma revisão. Troque as senhas de outro dispositivo seguro.
  3. Registre um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia virtual.
  4. Registre reclamação nos canais do banco e, se não houver solução, no consumidor.gov.br e no Banco Central.
  5. Guarde provas: número que ligou, horário, mensagens, comprovantes.

Para empresas

Empresas recebem a versão corporativa desse golpe: o falso gerente que pede para "atualizar o token" ou o falso fornecedor que avisa sobre a troca da conta bancária para pagamento. Inclua na política de segurança da empresa a regra de que nenhuma mudança de dados bancários ou pedido de transferência é aceito sem confirmação por um número já conhecido.

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Perguntas frequentes

Como o golpista sabe meu nome e CPF?

Esses dados circulam em vazamentos de bases de dados e são vendidos ilegalmente. Ter seus dados confirmados na ligação não prova que é o banco. Veja como consultar se seus dados vazaram e o que fazer.

O número que ligou é o mesmo do banco. Pode ser golpe?

Pode. Existem técnicas para falsificar o número que aparece no identificador de chamadas. Por isso, a regra é desligar e ligar você mesmo para o número oficial.

O banco devolve o dinheiro perdido no golpe?

Depende do caso. Se houver falha de segurança do banco, como transações fora do perfil sem bloqueio, a devolução pode ser cobrada. Registre a reclamação no banco, no Banco Central e, se necessário, busque orientação jurídica.

Recebi a ligação, mas não fiz nada. Preciso fazer algo?

Não é obrigatório, mas vale avisar o seu banco pelos canais oficiais e ficar atento a novos contatos. Se você chegou a informar algum dado, como senha ou código, troque as senhas imediatamente.

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