Controle parental no celular e no PC: como configurar sem complicação
O controle parental virou aliado das famílias, porque crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo no celular, no tablet e no computador. As ferramentas de controle parental ajudam os responsáveis a definir limites de tempo, filtrar conteúdo inadequado e acompanhar o uso, de acordo com a idade. Elas são gratuitas e já vêm nos sistemas. Mas funcionam melhor como parte de uma conversa sobre o uso da internet, e não como substituto dela.
Antes das ferramentas: combine regras
Ferramentas sem acordo geram conflito e tentativas de burlar. Converse e combine:
- horários de uso e de desligar (por exemplo, sem celular no quarto à noite);
- quais aplicativos e jogos são adequados para a idade;
- o que fazer se algo estranho acontecer: contato de desconhecido, pedido de foto, ameaça, golpe;
- que o responsável pode revisar o uso, e por quê.
Explique que o objetivo é proteger, não espionar. Adolescentes que entendem os riscos se protegem melhor, inclusive fora das ferramentas.
Android: Google Family Link
O Family Link é o controle parental do Google para celulares Android e Chromebooks.
- Instale o aplicativo Google Family Link no celular do responsável.
- Crie ou vincule a conta Google da criança, seguindo as instruções.
- Configure:
- Limites de tempo diário e horário de dormir.
- Aprovação de aplicativos na Play Store.
- Filtros de conteúdo no Google Play, YouTube e Chrome, quando disponíveis.
- Localização do aparelho.
Para adolescentes a partir de certa idade, o Google permite que eles mesmos decidam sobre a supervisão, conforme as regras do país. Converse antes desse momento.
iPhone e iPad: Tempo de Uso e Compartilhamento Familiar
- No iPhone do responsável, configure o Compartilhamento Familiar e adicione a criança com um ID Apple infantil.
- Em Ajustes > Tempo de Uso, escolha a criança e configure:
- Tempo de Inatividade (horário sem uso).
- Limites de Apps por categoria.
- Restrições de Conteúdo e Privacidade: classificação de apps, filmes e sites, compras dentro de apps.
- Pedir para Comprar: a criança pede autorização para baixar apps.
- Defina um código do Tempo de Uso diferente do código do aparelho da criança.
Windows e Xbox: Microsoft Family Safety
- Crie um grupo familiar em account.microsoft.com/family.
- Adicione a criança com uma conta Microsoft própria.
- No computador, a criança deve entrar com a conta dela, configurada como conta padrão, e não como administrador. Veja conta de administrador ou padrão.
- Configure limites de tempo de tela, filtros de conteúdo (que funcionam no Microsoft Edge) e solicitações de compra.
Observação: os filtros de sites da Microsoft funcionam no Edge. Para que não sejam contornados com outro navegador, é possível bloquear outros navegadores nas configurações do Family Safety.
Roteador e DNS: proteção para toda a casa
Alguns roteadores têm controle parental próprio, com horários de internet por aparelho. Outra camada é usar um DNS com filtro familiar, que bloqueia sites adultos e maliciosos em todos os aparelhos da rede. Serviços como o Cloudflare for Families e o OpenDNS FamilyShield oferecem essa opção gratuitamente; basta configurar o DNS no roteador. Veja como trocar o DNS em erro de DNS: como resolver e segurança da rede Wi-Fi.
O filtro por DNS não substitui os controles do aparelho, porque não funciona quando o celular usa os dados móveis, mas é uma boa camada adicional em casa.
YouTube, jogos e redes sociais
- YouTube Kids para crianças pequenas; contas supervisionadas para crianças maiores.
- Consoles e lojas de jogos têm controles próprios de classificação etária, gastos e conversas com desconhecidos. Configure nos ajustes de família de cada plataforma.
- Redes sociais têm idade mínima nos termos de uso e recursos de supervisão para adolescentes. Revise as configurações de privacidade junto com o adolescente: perfil privado, quem pode enviar mensagens, quem pode marcar.
Riscos que as ferramentas não resolvem sozinhas
- Contato com desconhecidos em jogos e redes sociais, inclusive adultos se passando por crianças.
- Pedidos de fotos íntimas e chantagem.
- Cyberbullying.
- Golpes, como promessas de itens de jogos grátis em troca de senha. Veja golpes no WhatsApp.
- Compras e assinaturas sem autorização.
Combine com a criança ou o adolescente que, diante de qualquer situação estranha, ele pode contar sem medo de punição. Esse canal aberto é a proteção mais forte que existe. Em casos de crimes contra crianças na internet, a denúncia pode ser feita aos canais oficiais, como o Disque 100 e a SaferNet Brasil.
Ajuste o controle parental conforme a idade
Controles que fazem sentido aos 8 anos são excessivos aos 15. Revise as regras a cada ano, aumentando a autonomia gradualmente. O objetivo final é que o adolescente desenvolva o próprio julgamento antes de ter acesso total.
Checklist de Segurança Digital
Faça o checklist gratuito da PruPru e veja, em poucos minutos, quais proteções básicas estão faltando no seu computador e na sua empresa.
Fazer o checklist →Perguntas frequentes
Controle parental é gratuito?
Sim. O Google Family Link, o Tempo de Uso da Apple e o Microsoft Family Safety são gratuitos e já vêm integrados aos sistemas. Alguns recursos avançados de serviços de terceiros podem ser pagos.
A criança consegue burlar o controle parental?
Às vezes, especialmente adolescentes com conhecimento técnico. Por isso, as ferramentas funcionam melhor combinadas com regras conversadas e com a confiança de que a criança pode contar o que acontece online.
O filtro por DNS funciona no 4G?
Não. O DNS configurado no roteador vale apenas para os aparelhos conectados ao Wi-Fi de casa. Para os dados móveis, use os controles do próprio celular.
Com que idade devo dar mais liberdade?
Não há uma idade única. Aumente a autonomia gradualmente conforme a maturidade, revisando as regras a cada ano e conversando sobre os riscos de cada nova plataforma.